Em junho é comemorado o Dia Mundial do Doador de Sangue e, também, é o mês dedicado à conscientização para ampliar as doações (Junho Vermelho). Segura e criteriosa, cada doação permite atender até quatro pacientes que necessitam de transfusão
A doação de sangue é um gesto de amor e solidariedade. No entanto, com a pandemia, o número de doadores caiu de forma significativa, deixando os bancos de sangue com sério risco de desabastecimento. No dia 14 de junho, comemora-se o Dia Internacional do Doador e, nos últimos anos, os hemocentros brasileiros adotaram a campanha Junho Vermelho, que marca o mês de conscientização, para sensibilizar e ampliar as doações de sangue. O objetivo é elevar os estoques de sangue, nessa época de baixa nas doações, em consequência do frio e das férias escolares, para que não haja risco de desabastecimento. Lembrando que o sangue é o combustível essencial para a vida.
A educação em saúde é uma das bandeiras do Projeto WASH, que embarca no Junho Vermelho para estimular toda a sua comunidade a construir uma cultura de doação de sangue, envolvendo, também, os jovens, uma vez que desde os 16 anos já é possível ser um doador. (Leia abaixo: Sem risco para o doador)
Segundo José Eduardo Baungartner, analista executivo no Hemocentro da Unicamp, os estoques estão abaixo do ideal e as doações em queda. “Esperamos que, com o lançamento da campanha deste ano, consigamos retornar as doações para os níveis adequados. Esse quadro é similar em todo o país. Com a pandemia, os hemocentros no Brasil estão implantando novas estratégias para minimizar problemas de desabastecimento para atendimento hospitalar”, destaca.
De acordo com Baungartner, de modo geral, sem a pandemia, o Hemocentro registra uma queda esperada para o período de inverno, em torno de 30%. Este ano, entretanto, o Banco de Sangue iniciou a campanha Junho Vermelho, com o estoque deficiente em 40%. “Desta forma, estamos em alerta e com ações novas para tentarmos minimizar impactos de desabastecimento”.
Baungartner ressalta que o maior risco com o desabastecimento é o cancelamento de cirurgias eletivas e os prejuízos no atendimento de urgência e emergência. “A falta do sangue pode causar um colapso nos atendimentos e impactar diretamente a vida dos pacientes.”
Durante o mês de junho, os monumentos da cidade serão iluminados de vermelho para chamar a atenção da população. Coletas externas, em locais variados, serão realizadas também neste mês. E no dia 14, as unidades fixas localizadas na Unicamp e no Hospital Mário Gatti, que normalmente funcionam das 7h30, às 15h, atenderão com horários estendidos: na Unicamp, das 7h30 às 19h; e no Mário Gatti, das 7h30 às 17h. Postos de combustíveis, também, estão participando da campanha.
Segundo o Ministério da Saúde, somente 2% da população doa sangue regularmente. “Com isso, gostaria de reforçar a necessidade da doação de sangue. Convidamos a população a comparecer e conhecer nossas unidades e, em um tempo curto (cerca de 60 minutos), você pode salvar a vida de quatro pessoas”, ressalta Baungartner.
Sem risco para o doador
O analista coloca que o procedimento para doação de sangue é simples, rápido e totalmente seguro para o doador. “Não há riscos para o doador, porque nenhum material usado na coleta do sangue é reutilizado, o que elimina qualquer possibilidade de contaminação”, afirma.
Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos. Pessoas de 16 e 17 anos devem estar acompanhadas de um responsável legal, que assine o termo de consentimento, para que o menor possa realizar a sua doação de sangue.
Para efetivar a doação, é preciso apresentar documento original, com foto recente, que permita a identificação do candidato.
Quem pode e o que é preciso para ser um doador
– Ter entre 16 e 69 anos e pesar, no mínimo, 50 quilos;
– Estar descansado (ter dormido, pelo menos, 6 horas nas últimas 24 horas);
– Não estar em jejum, mas evitar alimentos gordurosos; e, após o almoço, aguardar 3 horas;
– Não ter comportamento sexual de risco e estar em boas condições gerais de saúde.
Demais casos específicos são avaliados, individualmente, no momento da entrevista pelos profissionais de triagem clínica.
Aniversários podem motivar doações. Conheça exemplo!
Além das campanhas promovidas pelos bancos de sangue, algumas iniciativas individuais são fundamentais para alavancar as doações de sangue. Há cerca de cinco anos, o físico Victor Pellegrini Mammana, coordenador geral do Projeto WASH, encontrou uma maneira diferente e solidária de comemorar seu aniversário, em dezembro. A ação aproveita o mês de novembro, que celebra o Dia Nacional do Doador de Sangue. Quando se aproxima a data do aniversário, ele faz um convite especial aos amigos: “no meu aniversário, queria que você me desse um presente, vá doar sangue!”.
Mammana combina um horário, chama os amigos, e promove um encontro festivo no Hemocentro. “Às vezes, levo um bolinho e alguns brownies, para receber quem puder comparecer. Fazemos tudo de forma bem discreta, para não atrapalhar a dinâmica do Hemocentro. Não há parabéns, para não atrapalhar os demais doadores e profissionais do local”.
Para Mammana, o que vale é chamar a atenção para a importância da doação. “O objetivo é ajudar as pessoas a se sentirem mais úteis e, também, contribuir na divulgação, mesmo que não se contabilizem todas as doações efetivas. O que importa é o gesto de ir até o Hemocentro. Com isso, a pessoa fica conhecendo as regras do serviço. Assim, se programa melhor para poder doar, quando for possível.”
O coordenador do WASH reitera, aos amigos, que sempre há a possibilidade de se fazer a doação em outro momento. “Não precisa ser no dia do aniversário da pessoa que está convidando. Aliás, se as pessoas começarem a fazer o mesmo movimento no dia de seu próprio aniversário, já é uma vitória enorme!”.
No ano passado, ele passou seu aniversário em Brasília, participando da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, mas a campanha original foi mantida também lá. Mammana se encontrou com os amigos no Hemocentro da Unicamp, mas também fez a sua doação no banco de sangue do Distrito Federal. “Eu acho que as pessoas deveriam conhecer os hemocentros de todo o Brasil! Dizem que a gente não conhece uma cidade nova se não andar no transporte coletivo daquela cidade. Da mesma forma, conhecer os hemocentros de outras cidades é uma forma incrível de turismo! Eu recomendo.”
Sobre o Hemocentro
O Hemocentro da Unicamp distribui sangue e hemoderivados para todos os hospitais públicos da região, atendendo uma população de 6 milhões de habitantes. Os endereços, telefones e locais de atendimento do Hemocentro, podem ser acessados no link: https://www.hemocentro.unicamp.br/locais-de-coleta/.
O serviço atende em quatro locais fixos – Unicamp, Hospital Mário Gatti, Hospital Estadual de Sumaré e Hemonúcleo de Piracicaba. Tem, ainda, a unidade móvel e coletas em espaços cedidos por colaboradores de cidades vizinhas. Os pontos móveis funcionam da mesma forma que uma coleta realizada no Hemocentro matriz, na Unicamp).
A equipe se desloca até o local, monta todos os equipamentos, realiza o cadastro das pessoas que procuram os serviços e estando aptos, é feita a coleta no local. Essas coletas externas e seu agendamento estão disponíveis no site: https://www.hemocentro.unicamp.br/categoria/locais-de-coleta/
Texto: Delma Medeiros, com informações do Hemocentro.
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